I. Tendo o júri deliberado que seriam avaliadas as 16 competências que então enumerou, não lhe era lícito afastar-se posteriormente do critério que ele próprio havia fixado.
II. A discricionariedade administrativa não se confunde com a liberdade de alterar, no decurso do procedimento, as regras previamente estabelecidas; uma vez exercido o poder de conformação através da definição antecipada dos parâmetros da avaliação, a Administração fica vinculada às opções que adotou, em homenagem aos princípios da legalidade, da imparcialidade, da transparência e da confiança dos concorrentes nas regras previamente fixadas.
III. A identidade das questões formuladas aos candidatos não constitui, considerada isoladamente, violação do princípio da igualdade; pode, pelo contrário, revelar-se um instrumento idóneo à uniformização do método e à comparabilidade das prestações.
IV. Todavia, quando um único e reduzido conjunto de questões é reiteradamente utilizado em entrevistas realizadas em momentos temporalmente distintos, a organização do procedimento deve acautelar que dessa opção não resulte uma vantagem informacional relevante para os candidatos posteriormente avaliados.
V. Nas circunstâncias dos autos, a conjugação entre o reduzido número de questões utilizadas, a sua repetição relativamente a um universo alargado de candidatos e a dispersão temporal das entrevistas por diversos dias é objetivamente apta a gerar o risco de vantagem informacional.
VI. O facto de as perguntas não reclamarem respostas objetivamente predeterminadas não neutraliza esse risco. Limita apenas a natureza da vantagem suscetível de ser obtida, que deixa de consistir na prévia aquisição da «resposta correta» para se traduzir na possibilidade de selecionar, estruturar e ensaiar antecipadamente uma resposta mais apta a evidenciar as competências avaliadas.
VII. O Anexo 4 do Despacho n.º 40/2021 utiliza, na habilitação profissional, uma fórmula ampla — «participação em ações de formação, cursos, estágios, seminários e similares» — e, no tipo de funções exercidas, escolhe uma categoria específica: «Formador por indicação da PJ (…)». Não valorizou genericamente qualquer intervenção de transmissão de conhecimentos, mas a específica função de formador.
VIII. «Formador» pressupõe algo mais do que a simples comunicação de informação perante uma audiência; o formador não se identifica, sem mais, com o orador, conferencista ou palestrante.