Processo 1238/24.0T8PDL-A.L1-12
SUMÁRIO (da responsabilidade da Relatora, nos termos do artigo 663º, n.º7 do Código de Processo Civil)1
I - As nulidades da sentença encontram-se taxativamente enumeradas no artigo 615º do Código de Processo Civil e prendem-se com a violação de regras de estrutura das decisões (sentenças ou despachos, neste caso ex vi artigo 613º do Código de Processo Civil), reportando-se, assim, a vícios formais das decisões proferidas, que não contendem com o seu mérito, não se confundindo com um qualquer erro de julgamento.
II - Estaremos perante uma “decisão-surpresa” quando, nada o fazendo prever face ao alegado pelas partes, o juiz envereda por uma solução que os sujeitos processuais não configuraram (ainda que possa ser a mais correcta para a resolução do litígio).
III - A nulidade prevenida no artigo 615º, n.º 1, al. d), parte final, do Código de Processo Civil sanciona a violação do estatuído na 2ª parte do nº 2 do artigo 608º do mesmo diploma, ou seja, as situações em que o juiz decide uma questão de que não podia tomar conhecimento, por não lhe ter sido pedido, nem ser de conhecimento oficioso.
IV - Apenas estaremos perante uma omissão de pronúncia quando o tribunal deixe de se pronunciar quanto à pretensão solicitada e que se impunha conhecer para a tomada de decisão da causa.
V - Se, findos os articulados, o tribunal declarar a incompetência absoluta não tem de, oficiosamente, determinar a remessa dos autos para o tribunal competente. Pelo contrário, é ao autor que cabe a iniciativa de, perante aquela decisão, solicitar tal envio, ao que poderá opor-se o réu.
VI - A mera integração sistemática no Código de Processo Civil evidencia a metodologia seguida pelo legislador processual civil para a determinação da competência, sendo o elemento territorial o último critério a atender.
VII - Quer a doutrina, quer a jurisprudência maioritárias são claríssimas na enunciação dos argumentos que afastam a tese do autor, no sentido do artigo 73º do Código de Processo Civil consagrar uma regra de atribuição de competência material implícita, atribuindo-a ao tribunal da causa principal, independentemente da sua especialização, assim consubstanciando lei especial que deve afastar a aplicação da lei geral.
VIII - O preceito apenas tem aplicação após o apuramento do tribunal competente face à matéria em litígio, em razão da hierarquia de tribunais e do valor do processo, e perante juízos igualmente competentes em razão da matéria (integrados no mesmo Tribunal de competência especializada), pretendendo a lei por essa via dar resposta à questão de saber se, pelo seu objecto (pedido e causa de pedir), a acção de honorários é instrumental em relação à acção pendente.
IX - A competência por conexão funciona como um mecanismo de extensão ou modificação da competência relativa, previamente determinada, não podendo derrogar as regras de competência absoluta (em razão da matéria, da hierarquia ou de competência internacional).
X - A acção de honorários constitui lide autónoma em sede da qual o autor terá de invocar os factos em que ancora o seu pedido, devendo cumprir o ónus probatório que sobre si impende, independentemente do que ocorreu na causa em que prestou os serviços cujo ressarcimento reclama (cfr. artigos 552º, n.º1, als. d) e) do Código de Processo Civil e 342º do Código Civil ).
XI - Sendo certo que um dos princípios norteadores do processo civil português é o da economia processual, entendida como a proibição da prática de actos inúteis, conforme estabelece o artigo 137º Código de Processo Civil, não é o mesmo beliscado em virtude da instauração da acção de honorários em tribunal diverso do “da causa” (na acepção do artigo 73º).

