Processo 563/21.7T8PTL.G1
I - O erro de escrita susceptível de rectificação ao abrigo do art. 249º do CC pressupõe a existência de um lapso ostensivo e manifesto, revelado pelo próprio contexto da declaração ou pelas circunstâncias em que esta foi produzida, de forma a evidenciar, sem necessidade de nova apreciação factual, uma divergência entre o declarado e o realmente pretendido.
II - A faculdade de rectificação prevista no art. 249º do CC não abrange alterações substanciais ao conteúdo da relação de bens apresentada em inventário, designadamente quando a correcção pretendida implique a reformulação da composição do activo hereditário e a reponderação de factos já estabilizados processualmente.
III - Tendo a cabeça de casal relacionado autonomamente determinada verba monetária no activo da herança e sido essa relação de bens aceite no processo, não pode posteriormente, sob a invocação de lapso de escrita, pretender que a mesma verba seja abatida ao valor de outras verbas do activo, por tal constituir modificação material da relação de bens e não mera correcção de erro manifesto.
IV - O art. 614º do CPC apenas permite a correcção de erros materiais evidentes, não legitimando a alteração substancial das decisões já proferidas nem a modificação dos pressupostos em que assentou o cálculo dos quinhões hereditários.
V - Não ocorre violação do disposto no art. 1120º/3 do CPC quando o mapa da partilha procede à soma das verbas do activo constantes da relação de bens definitiva e à dedução do passivo reconhecido, em estrita observância da forma da partilha anteriormente fixada.
VI - Improcede a apelação quando a alegada duplicação de valores não constitui erro material manifesto, mas antes uma pretensão de reformulação substantiva da relação de bens e do valor global do activo hereditário, inviável na fase de elaboração e controlo do mapa da partilha.
