Processo 27007/25.2T8LSB.L1-6
4 – Sumariando ( cfr. nº 7, do artº 663º, do cpc ) . 4.1. - O artº 272º,nº1, do CPC , como decorre expressis verbis do seu conteúdo, prevê duas situações diversas [ previstas, respectivamente, na primeira e segunda parte do nº1 ] capazes de desencadear a suspensão da instância de uma acção judicial, pois que, manifestamente ,a 2ª parte do seu nº1, tem um âmbito de previsão diferente da 1ª parte, o que tudo, aliás, decorre expressamente da alusão - nela - à verificação de “outro motivo“ justificado [ estando assim a primeira parte relacionada com a pendência de causa prejudicial e , a segunda, quando ocorre outro motivo justificado ] ; 4.2. - Uma causa é prejudicial em relação a outra, quando a decisão da primeira pode destruir o fundamento ou a razão de ser da segunda”, ou seja, obriga a decisão da primeira a julgar a segunda improcedente ; 4.3. – A prova da pendência de inquérito crime entre as mesmas partes de uma acção cível e, ainda que em ambas as acções estejam em apreciação alguma factualidade , é situação que por si só não integra a previsão dos artigos 92.º e/ou 272,nº1, do CPC, não consubstanciando o inquérito crime uma causa prejudicial ou neste se apreciando uma questão da sua competência que se revela essencial e imprescindível para a decisão a proferir na acção cível. 4.4. – O disposto no art. 272º, nº 1, do CPC não opera ope legis, nem constitui um poder/dever imposto ao juiz, pois que aí se refere que “o tribunal pode ordenar a suspensão , ou seja, exigível é que o tribunal deva fazer (sempre) uma correcta ponderação e valoração dos motivos invocados pelas partes, só determinando a suspensão da instância, se existir um verdadeiro motivo para, em termos de probabilidade, se antever qualquer vantagem para a justa composição do litígio, desse modo interferindo com o normal desenvolvimento da lide.
