Processo 15414/25.5T8PRT-A.P1
I - Decorre do disposto no n.º 2, do artigo 351.º, do Código de Processo Civil a admissibilidade da habilitação dos sucessores em execução quando o falecimento do executado resulte certificado na sequência das diligências para a respetiva citação, ainda que o óbito seja anterior à propositura da execução, sendo indiferente que o exequente já dele tivesse conhecimento ao instaurar a causa.
II - Não configura, por isso, ilegitimidade passiva originária insuprível a instauração de execução contra pessoa já falecida à data da propositura, admitindo o legislador, por razões de economia processual, a regularização subjetiva da instância pela via do incidente de habilitação dos sucessores.
III - A finalidade do incidente de habilitação de herdeiros exaure-se na substituição da parte falecida pelos seus sucessíveis para que a instância prossiga, não pressupondo nem determinando a aceitação da herança; a expressão «sucessores», constante do n.º 1 do artigo 351.º, abrange também os sucessíveis que ainda a não aceitaram nem repudiaram.
IV - A atendibilidade dos factos supervenientes, consentida em geral pelo artigo 611.º, n.º 1, do Código de Processo Civil, não pode fazer-se à margem das regras que disciplinam a alegação, o contraditório e a instrução, nem converter a Relação em tribunal de primeira apreciação de questão não submetida ao tribunal recorrido; controvertidas a validade, tempestividade e eficácia do repúdio, não pode a Relação extrair dele, nesta sede, a revogação da sentença de habilitação. (Sumário da responsabilidade da Relatora)
