Sumário:
I - Na fixação da indemnização do dano da perda da vida, tendo em consideração que não é o lesado que vai beneficiar da quantia indemnizatória, o valor a atribuir deve refletir uma censura à conduta lesante e sinalizar a importância do bem jurídico supremo sacrificado, conferindo-lhe uma tutela que satisfaça as exigências de um Estado de direito democrático, necessariamente atento à reparação dos danos injustamente provocados pela conduta de outrem, sendo aconselhável seguir-se uma orientação padronizadora.
II - Com recurso à equidade, o valor padrão desta indemnização, que nos últimos tempos tem norteado a jurisprudência dos tribunais superiores, ronda os € 80.000,00, avultando como critério diferenciador o grau de culpa do lesante.
III - Afigura-se justa e equitativa a indemnização de € 100.000,00 para ressarcimento do dano decorrente da perda do direito à vida, na sequência de um acidente de viação, para o qual não contribuiu o pai dos autores, de 51 anos de idade, o qual era uma pessoa ativa, empreendedora, com atividade profissional e empresarial e dedicado à educação e formação dos autores, sendo um pai dedicado e presente, com grande amor e carinho por cada um dos autores.
IV- Considera-se suficientemente ajustado a compensar os danos de natureza não patrimonial sofridos pelos autores, de 4, 7 e 10 anos de idade, que receberam com choque profundo a notícia do falecimento do pai em acidente de viação, para o qual não contribuiu, tendo na altura 51 anos de idade, sendo ele saudável e integrando um agregado familiar caracterizado por relacionamentos de estima, amor e carinho recíprocos, uma indemnização de € 40.000,00 para cada um dos filhos.
V - Também a concretização do valor da indemnização pelos danos patrimoniais futuros daqueles que estavam em condições de poder exigir alimentos do falecido nos termos do artigo 495º, nº 3, do Código Civil é feita com recurso a critérios de equidade, ainda que vinculados a um conjunto de parâmetros objetivos aptos a sustentar uma previsão aproximada dos efeitos patrimoniais da impossibilidade de exigir alimentos ao falecido, nomeadamente o rendimento líquido do falecido, a necessidade de eventual prestação de alimentos a um ou mais do que um alimentando e o princípio da vigência temporalmente limitada do direito a alimentos dos descendentes.
VI - O FGA está obrigado a reembolsar ao ISS as quantias por este pagas a título de subsídio de pensões de sobrevivência, na medida em que o facto gerador de tal pagamento seja imputável a terceiro, por via da sub-rogação legal da segurança social nos direitos do lesado (vide artigo 70º da Lei 4/2007 e artigo 16º da Lei 28/84) e o FGA por sua vez responda enquanto garante da indemnização devida ao lesado.