Sumário:
I. A penhora é objectivamente excessiva quando atinge bens ou direitos que, embora pertencentes ao executado, não devam responder pela satisfação do crédito exequendo
II. O Art. 738.º do CPC, ao fixar um limite mínimo, tem como escopo garantir que, por causa da penhora, o executado não fique com um rendimento disponível inferior ao salário em que o executado aufira, apenas rendimentos iguais ou inferiores ao salário mínimo
III. O art. 738.º do CPC, o conceito de vencimento ou de salário deve ser interpretado em sentido amplo tendo em atenção os artigos 258.º, n.ºs 2 e 3, e 260.º, nº 3, do Código do Trabalho, bem como o art.º 2.º, n.º 2, do CIRS. Aqui se mostram abrangidos a possibilidade de penhora, enquanto elemento integrante da retribuição dos subsídios de férias e de Natal.
IV. Sendo o executado pensionista, não estão, rigorosamente, em causa subsídios de férias e de natal, em sentido próprio, mas sim os montantes adicionais a que alude o art. 41.º do DL 187/2007, de 10-05.
V. Do art. 40.º e 42.º do DL 187/2007 de 10-05 resulta que essas duas prestações adicionais -13.º e 14.º mês - integram o direito do pensionista a receber 14 prestações mensais de reforma sendo que o art. 41.º apenas estabelece as datas de vencimento dessas suas prestações (e tanto assim é que o legislador pode determinar que o pagamento das mesmas possa ter lugar em duodécimos, como sucedeu com o DL 3/2013 de 10-01 e com o art. 37.º da Lei 82-B/2014 (Lei do Orçamento de Estado de 2015).
VI. Auferindo o executado uma pensão de reforma que, somada aos duodécimos de montantes adicionais a que tem direito nos termos do art. 41.º do DL 187/2007, de 10-05, seja inferior ao salário mínimo nacional, os referidos subísidios/montantes são impenhoráveis nos termos do art. 738.º, n.ºs 1 e 3, do CPC. (Sumário elaborado pela relatora)