I - Na presente ação discute-se a validade do ato administrativo que decidiu o incidente de recusa apresentado pelo autor e no processo n.º 3/26.5YFLSB discute-se a decisão que recaiu sobre o requerimento do autor que arguiu nulidades, irregularidades e inconstitucionalidades quanto ao procedimento disciplinar contra si instaurado.
II - Não se confundem, pois, os objetos de cada uma das ações sob análise, sendo diferentes os pedidos formulados em cada uma das ações, posto que está em causa a declaração de nulidade ou anulação de distintos atos administrativos, pelo que não se verifica a excepção de litispendência.
III - Nos termos do disposto no art. 51.º, n.º 1, do CPTA, o conceito de ato contenciosamente impugnável parte da noção de ato administrativo, mas destaca o carácter de externalidade do ato e nos termos previstos no art. 148.º do CPA, aprovado pelo DL n.º 4/2015, de 07-01, são atos administrativos as decisões dos órgãos da Administração que, no exercício de poderes jurídico-administrativos, visem produzir efeitos jurídicos numa situação individual e concreta.
IV - O princípio da decisão exige o dever de pronúncia dos órgãos administrativos sobre todos os assuntos da sua competência que lhe sejam apresentados pelos particulares.
V - A decisão final deverá refletir a ponderação de tudo o que releve para o efeito, apreciando o mérito substancial e formal da pretensão quanto a todas as questões que tenham sido suscitadas pelos interessados, o que não equivale a dizer que tenha que rebater todos os argumentos, mas apenas aqueles que sejam pertinentes para o efeito.
VI - A fundamentação de um ato administrativo consiste na enunciação explícita das razões de facto e de direito que levaram o seu autor a praticar determinado ato ou a dotá-lo de certo conteúdo, permitindo a compreensão do raciocínio lógico-jurídico efetuado pelo autor do ato para se decidir num determinado sentido.
VII - Não se confunde a falta de fundamentação com a discordância em relação aos fundamentos da mesma constantes, que consubstancia, na verdade, um vício de violação de lei por erro de interpretação ou aplicação de norma, ou por erro nos pressupostos de facto.
VIII - Nos termos previstos no art. 114.º do EMJ, aplica-se ao procedimento disciplinar, com as necessárias adaptações, o regime de impedimentos, suspeições, recusas e escusas estabelecido para o processo penal.
IX - No âmbito do incidente de recusa, não cumpre discutir a bondade das decisões judiciais ou, ainda, analisar se as mesmas se encontram corretas, entendimento que, transposto para o procedimento disciplinar, nos leva, também, a concluir que não é no quadro deste incidente que cumpre apreciar da correção da decisão de apreciação e valoração da prova levada a cabo pelo Sr. Instrutor. Tal análise deverá ter lugar em sede de impugnação administrativa ou jurisdicional da decisão final do procedimento disciplinar, com fundamento na errada valoração e apreciação da prova ou, ainda, no erro nos pressupostos de facto.