Processo 21627/22.4T8PRT-A.P1
I - À celebração de contrato de mútuo oneroso, com obrigação de reembolso do capital em prestações mensais, acrescidas de juros, configura quotas de amortização de capital mutuado pagável com juros, é aplicável o prazo de prescrição de cinco anos previsto no art. 310.º, al. e), do Código Civil, tal como se decidiu no Acórdão de Uniformização de Jurisprudência n.º 6/2022 (DR n.º 184/2022, de 22/09/2022).
II - Contudo, a declaração de insolvência, para além de suspender todos os prazos de prescrição (o prazo de prescrição deixa de correr durante a pendência do processo de insolvência e apenas recomeça a contar após o encerramento do mesmo - cfr. art. 100.º CIRE) determina ainda o vencimento de todas as obrigações do insolvente não subordinadas a uma condição suspensiva (cfr. art. 91.º, n.º 1, do CIRE).
III - Além disso, se no âmbito do processo de insolvência foi ainda proferida sentença que verificou e graduou os seus créditos (que aí havia reclamado e que agora deu à execução) - tal circunstância (apesar da aplicabilidade inicial do prazo curto de prescrição) transformou o prazo curto inicial de prescrição em prazo ordinário de 20 anos, por força do disposto no art. 311.º, n.º 1, do Código Civil, mas apenas no que toca ao capital.
IV - No que diz respeito aos juros continua a aplicar-se o prazo curto de cinco anos por força do disposto no art. 311.º, n.º 2, do
CC.
V - Em suma, no caso concreto em apreciação, os juros vincendos entre 09-01-2012 e o dia 12-12-2017, estão prescritos (arts. 310.º, alínea d), 311.º, n.º 2 e 323.º, n.º 1 do Código Civil), mas a dívida relativa ao capital no montante de €11.981,55 não está prescrita (cfr. art. 311.º, n.º 1, do CC), bem como não prescreveram os juros contados a partir de 13/12/2017 (cfr. art. 311.º, n.º 2, do CC).
