Processo 364/25.3PIPRT.P1
I – A decisão judicial que aprecia e indefere a arguição de invalidade de autos de reconhecimento pessoal, não tendo sido objeto de recurso, adquire força de caso julgado formal, tornando-se definitiva e obrigatória dentro do processo, não podendo a mesma questão ser novamente apreciada em sede de recurso interposto da decisão final.
II – A inclusão, em autos de reconhecimento pessoal, de expressões utilizadas como alcunhas ou elementos de identificação informal do suspeito não determina, por si só, a invalidade do reconhecimento, nem constitui violação do princípio da igualdade e da proibição de discriminação consagrados no artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa, quando, em concreto, não resulte demonstrado que tais referências tenham condicionado ou induzido a identificação efetuada pelos reconhecedores.
III – A violação do princípio in dubio pro reo pressupõe que resulte da decisão recorrida que o tribunal, confrontado com uma dúvida séria, razoável e insanável quanto à verificação dos factos, tenha decidido em desfavor do arguido, não bastando, para o efeito, a mera discordância do recorrente relativamente à valoração da prova ou à convicção formada pelo julgador.
IV – A não aplicação do regime especial para jovens imputáveis, previsto no Decreto-Lei n.º 401/82, de 23 de setembro, e a suspensão da execução da pena de prisão, nos termos do artigo 50.º do Código Penal, não são decisões necessariamente incompatíveis, por assentarem em pressupostos e juízos de prognose distintos, podendo coexistir relativamente ao mesmo arguido sem que daí decorra, por si só, contradição insanável da fundamentação.
V – A contradição insanável da fundamentação, prevista no artigo 410.º, n.º 2, alínea b), do Código de Processo Penal, exige uma incompatibilidade lógica efetiva e insuperável entre os fundamentos da decisão, ou entre estes e o respetivo dispositivo, não se verificando quando, apesar de aparentes divergências valorativas na apreciação da personalidade do arguido, seja possível apreender, de forma coerente, o percurso lógico-jurídico que conduziu à decisão.
VI – A recusa da atenuação especial da pena prevista no artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 401/82, fundada na inexistência de razões sérias para crer que dessa atenuação resultem vantagens para a reinserção social do jovem condenado, não obsta à formulação de um juízo de prognose favorável à suspensão da execução da pena, quando o tribunal considere que a censura do facto e a ameaça da prisão, acompanhadas de regime de prova, ainda realizam de forma adequada e suficiente as finalidades da punição. (Sumário da responsabilidade da Relatora)

