Processo 13530/25.2BELSB.CS1
1. Não é possível conhecer o teor dos documentos nominativos cujo acesso é requerido na pendência do processo de intimação para a prestação de informações, sob pena de o acesso aos documentos – que é a questão central dos presentes autos - ser, desse modo, concedido ao requerente. 2. Ao determinar que “nos pedidos de acesso a documentos nominativos que não contenham dados pessoais que revelem a origem étnica, as opiniões políticas, as convicções religiosas ou filosóficas, a filiação sindical, dados genéticos, biométricos ou relativos à saúde, ou dados relativos à intimidade da vida privada, à vida sexual ou à orientação sexual de uma pessoa, presume-se, na falta de outro indicado pelo requerente, que o pedido se fundamenta no direito de acesso a documentos administrativos”, a norma do n.º 9 do artigo 6.º da LADA estabelece uma presunção legal a favor do requerente do acesso aos documentos nominativos, pelo que, atento o disposto no n.º 1 do artigo 350.º do Código Civil, não se impõe que aquele demonstre que os documentos a que pretende aceder não contêm os dados referidos naquela norma. 3. Tal prova seria impossível em face do desconhecimento do teor dos documentos por parte do requerente. 4. Da referida presunção não se retira que o acesso aos documentos administrativos “é livre ou não sujeito a restrições”, e, operando a mesma, impõe-se a realização da ponderação de direitos a que se refere a alínea b) do n.º 5. 5. Estando em causa o acesso a documentos respeitantes à actividade do Conselho Superior da Magistratura, relativa à gestão e disciplina da magistratura judicial, incidem os mesmos sobre actuações de natureza pública, mas tal não significa que aqueles documentos não integrem dados pessoais de terceiros que, por isso, extravasem o âmbito da actividade pública, e que careçam de ser salvaguardados, nos termos do n.º 8 do artigo 6.º. 6. Tratando-se de actas e deliberações de reuniões das secções de assuntos gerais, de assuntos inspectivos e disciplinares e de acompanhamento e ligação aos tribunais judiciais do Conselho Permanente e do Plenário do Conselho Superior da Magistratura, devem os documentos ser facultados ao requerente com expurgo da informação relativa a matéria reservada, de cariz pessoal, que, como tal, deva ser preservada do conhecimento por terceiros.