Processo 1478/10.0BELRS
I - A omissão de pronúncia constitui uma nulidade da decisão judicial, prevista no artigo 125º, nº 1 do CPPT e no artigo 615°/1/d), do CPCivil, quando o tribunal deixe de se pronunciar sobre questões que deva apreciar, isto é, suscitadas pelas partes ou de conhecimento oficioso e não estejam prejudicadas pela solução dada a outras
II - Estando em causa custos não cabalmente documentados e não sendo feita qualquer prova pela Impugnante que supra tal circunstância, essa inércia probatória reverte contra si.
III - Quando a AT, de forma sustentada, ponha em causa a indispensabilidade de um custo, cabe ao administrado o ónus da prova de tal indispensabilidade.
IV - Se, para um dos alegados prestadores de serviços, a AT reuniu indícios sérios de que as transações tituladas pelas faturas não tiveram efetividade, revelando tais indícios que há uma probabilidade séria de não terem sido feitas as prestações de serviço em causa, o ónus da prova da efetividade de tais transações é do sujeito passivo.
V - A desconsideração das designadas “facturas falsas” não ofende o princípio da tributação pelo rendimento real estatuído no nº 2 do artigo 104º da Constituição da República Portuguesa, constituindo, ao invés, uma concretização do referido princípio, na medida em que só devem concorrer para o apuramento da matéria colectável sujeita a imposto os custos efectivamente incorridos pelo sujeito passivo.