I - Recai sobre o requerente de uma providência cautelar o ónus de oferecer os meios de prova no requerimento inicial, nos termos do art.º 114.º, n.º 3, alínea g) do CPTA, o que está em consonância com o disposto no art.º 423.º, n.º 1 do CPC, de acordo com o qual “os documentos destinados a fazer prova dos fundamentos da ação ou da defesa devem ser apresentados com o articulado em que se aleguem os factos correspondentes”.
II - Se não se deteta quais os factos a cuja prova se destinavam os documentos cuja junção foi requerida na pendência do processo cautelar, não se vê em que medida pudesse incidir sobre o Tribunal a quo o dever de admitir a sua junção por força do disposto no art.º 411º do CPC e dos princípios do inquisitório, da descoberta de verdade e da justa composição do litígio, como sustenta o Recorrente.
III - A questão de saber se na situação presente existe ou não periculum in mora que justifique a decretação da providência cautelar implica que deva ter-se presente o sentido e conteúdo do ato administrativo relativamente ao qual é pretendida a respetiva suspensão de efeitos (suspensão de eficácia) até que seja definitivamente decidida na ação principal a sua invocada invalidade.
IV - O não exercício da atividade de compra, venda, guarda e reparação de armas das classes B, B1, C, D, E, F e G e suas munições nas instalações do seu estabelecimento, para que estava autorizado, por efeito da cassação do respetivo Alvará, acarretará prejuízos económicos para o Requerente, os quais decorrerão, desde logo, precisamente de este ver-se impedido de retirar os proveitos económicos dessa atividade que ali desenvolvia.
V - Ainda que não se imponha ao juiz cautelar, fora do enquadramento próprio da apreciação cautelar, apreciar o mérito de cada uma das causas de invalidade assacadas ao ato suspendendo que venham alegadas pelo requerente no requerimento inicial da providência, não se deve demitir de tomar posição sobre a viabilidade da pretensão anulatória, e é isso que se pede ao juiz cautelar, que à luz do disposto na segunda parte do nº 1 do art.º 120.º do CPTA aferira da viabilidade da pretensão anulatória do ato suspendendo, enquanto questão submetida à sua apreciação, em análise perfunctória da invocada invalidade do ato, no sentido de averiguar ser provável, ou não, a pretensão anulatória formulada na petição inicial.
VI - Considerando a contextualização factual e procedimental em que foi proferido o ato de cassação do alvará de armeiro, o respetivo teor, bem como das informações em que se suportou, não se vislumbra, num juízo perfunctório próprio da sede cautelar, que o mesmo padeça de erro nos pressupostos, seja de facto seja de direito, ou que viole o princípio da legalidade ou o princípio da proibição do excesso, se a norma do art.º 50.º do Regime Jurídico das Armas e Munições (aprovado pela Lei n.º 5/2006, de 23/02) prevê as situações de incumprimento ou violação que conduzem à cassação do alvará, que a entidade demandada enunciou, e que perfuntoriamente se verificam em face dos elementos recolhidos e vertidos no processo administrativo.* * Sumário elaborado pela relatora (art. 663º, n.º 7 do Cód. Proc. Civil)