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I - O verbo “poder”, usado nº 3 do artigo 17º do DL nº 269/98 inculca na mente de qualquer intérprete o juízo de que se trata de um poder que não é dever. Posto que in claris no fit interpretatio, conclui-se que daquela norma não decorria um direito do ora recorrente, enquanto autor, a ser convidado a aperfeiçoar a sua petição.
II - Não se vê que a absolvição do pedido tenha, na sentença recorrida, fundamento em Insuficiências da PI que não tenham sido objecto de convite ao aperfeiçoamento nos termos do artigo 87º nºs 1 b) e 3 do CPTA, pelo que improcedem a alegação e a invocação de nulidade processual subjacente a esta questão.
III - Os termos do artigo 429º requerem expressamente que o documento a juntar pela outra parte seja identificado quanto possível, pela parte requerente, e que esta especifique o facto a provar, como sempre exigiriam o princípio do dispositivo e as regras do ónus de alegação e de prova, pelo que sempre seria de indeferir o pedido que a Autora fez, quando declarou não ir juntar PI aperfeiçoada, de que se notificasse a contraparte para juntar esses documentos que a Autora não identificou quanto lhe era possível ou exigível enquanto cessionária dos créditos. Portanto, a omissão de decisão sobre este pedido não constitui nulidade processual, atento o nº 1 in fine do artigo 195º do CPC.
IV - O dever de gestão processual (artigo 7º-A do CPTA) foi cumprido, mediante o convite, à Autora, para alegar os contratos de cessão e de fornecimento/prestação de serviços necessários à procedência do pedido; e o dever inquisitório (90º nº 3 do CPTA) tem como objecto apenas os factos alegados ou de algum modo atendíveis nos termos do nº 2 do artigo 5º do CPC. Portanto, a não notificação do Réu para juntar os contratos de fornecimento, subjacentes às facturas, não podia violar estes deveres.
V - Não havendo alegação que permita identificar minimamente um facto concreto, nem a exacta designação e localização, nos autos, do documento objecto da remissão, aquele nunca pode ser considerado alegado por remissão.
VI - De um ponto de vista lógico-jurídico só os vícios e irregularidades a que se refere o nº 2 do artigo 87º do CPTA implicam a absolvição da instância, por ser impossível ou estar proscrita a apreciação do mérito da causa. O nº 7 do artigo 87º do CPTA, portanto, refere-se apenas ao nº 2 e não também ao nº 3 do mesmo artigo.* * Sumário elaborado pelo relator (art. 663º, n.º 7 do Cód. Proc. Civil)