[art.º 663.º, n.º 7, do Código de Processo Civil (CPC)]
I. Os recursos jurisdicionais são meios de impugnação de decisões judiciais quanto a questões por estas efetivamente apreciadas, não se destinando a suscitar, ex novo, fundamentos que a parte, tendo tido oportunidade processual para tal, optou por não colocar ao tribunal a quo;
II. Não constitui, por si só, fundamento de formação de deferimento tácito o incumprimento do prazo de cinco dias úteis previsto no artigo 37.º, n.º 2, da Lei n.º 27/2008, de 30 de junho (Lei do Asilo), porquanto tal preceito não contém cominação autónoma para a sua inobservância, sendo apenas ao prazo de 30 dias do artigo 20.º, n.º 1, do mesmo diploma — suspenso, nos termos do artigo 39.º, durante a instrução do procedimento de determinação do Estado responsável — que a lei associa, no seu n.º 2, o valor de admissão tácita do pedido, nos termos exigidos pelo artigo 130.º, n.º 1, do CPA;
III. Não padece de défice instrutório a decisão de retoma a cargo para a Alemanha, ao abrigo do Regulamento (UE) n.º 604/2013 (Regulamento de Dublim III), fundada na presunção de que o Estado-Membro responsável trata os requerentes de proteção internacional em conformidade com o direito da União e os direitos fundamentais, quando a alegação de falhas sistémicas nesse Estado é genérica e não é acompanhada de factos concretos, atendendo, designadamente, às declarações do próprio requerente sobre a sua experiência efetiva nesse Estado; O risco de refoulement indireto para o país de origem, subsequente à transferência para o Estado-Membro responsável, não constitui, por si só, fundamento de aplicação da cláusula de salvaguarda do artigo 3.º, n.º 2, do Regulamento (UE) n.º 604/2013, que pressupõe a demonstração de falhas sistémicas concretas e de gravidade extrema no sistema de asilo do próprio Estado de transferência, e não a mera eventualidade de decisão futura desse Estado, o qual, enquanto Estado-Membro da União Europeia, está vinculado ao princípio do non-refoulement.