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I. O “prazo limite estabelecido” a que se refere a norma do artigo 169.º, n.º1, do CPTA é o prazo fixado no momento em que é aplicada a sanção pecuniária compulsória, e não o prazo geral de execução espontânea da sentença, previsto no artigo 162.º, n.º1, do CPTA, o que significa que, na execução para prestação de facto infungível, aquele prazo será, em regra, o prazo limite para a realização da prestação fixado pelo Tribunal, segundo critérios de razoabilidade, previsto no n.º1 do artigo 168.º do mesmo Código, uma vez que, salvo se a sanção pecuniária compulsória já tiver sido imposta na sentença da acção declarativa, a imposição daquela sanção tem lugar na decisão que fixa o prazo para a realização da prestação, ou seja, na sentença da acção executiva.
II. A imposição de sanção pecuniária compulsória na decisão a que se refere o artigo 168.º do CPTA não visa, pois, sancionar o incumprimento da sentença exequenda, mas compelir os titulares dos órgãos incumbidos da execução a realizarem a prestação dentro do prazo fixado pelo Tribunal para o efeito na sentença da acção executiva.
III. A indemnização moratória ou indemnização pela mora encontra o seu fundamento legal no princípio geral consagrado no artigo 804.º, n.º1, do Código Civil, segundo o qual “a simples mora constitui o devedor na obrigação de reparar os danos causados ao credor”, sendo que a indemnização moratória que, nos termos do artigo 164.º, n.º4, do CPTA, pode ser pedida na execução para prestação de facto visa ressarcir os danos que sejam consequência directa e necessária do atraso/demora no cumprimento da prestação em que a entidade executada foi condenada na acção declarativa.
IV. O facto de a entidade executada, ora recorrente, não ter executado a sentença exequenda, ou seja, não ter adoptado os procedimentos necessários para impedir que, no futuro, continuem a ocorrer inundações junto lote de que o exequente é proprietário, não constitui um dano em si mesmo, podendo constituir fonte de danos, que, no entanto, não se presumem, pelo que o Tribunal a quo não podia condenar o recorrente no pagamento de uma indemnização moratória quando não considerou provados quaisquer factos relativos aos danos sofridos pelo exequente resultantes do atraso na execução.