Processo 4-22.2PJOER.S1
I. No que se refere à sentença penal, o dever de fundamentação concretiza-se mediante uma fundamentação reforçada, que visa, por um lado, a total transparência da decisão, para que os seus destinatários - incluindo a própria comunidade - possam apreender e compreender claramente os juízos de valoração e de apreciação da prova, bem como a actividade interpretativa da lei e sua aplicação e, por outro lado, possibilitar ao tribunal superior a fiscalização e o controlo da actividade decisória.
II. A falta de fundamentação e a omissão de pronúncia não podem ser confundidas com a discordância acerca da fundamentação que sustenta o sentido da decisão de improcedência do seu recurso.
III. A omissão de pronúncia ocorre quando o Tribunal deixe de pronunciar-se sobre questões que devesse apreciar e, não, quando as conhecendo, não aborde, a totalidade dos argumentos e das razões invocadas para as sustentar.
IV. A falta de fundamentação só se verifica, naturalmente, perante a sua omissão completa e, não perante uma qualquer insuficiente, básica, simplista, mesmo deficiente ou errada fundamentação.
V. É de indeferir o requerimento de arguição de nulidade do acórdão se o arguido/recorrente/reclamante - na expectativa de que surja, agora, uma decisão de sentido diferente – discordando do sentido da decisão, pretende que o Tribunal se pronuncie, de novo e, reaprecie as questões por si suscitadas no recurso, que foram abordadas e decididas no acórdão reclamando, ainda que não se acolhendo as críticas que o arguido dirigia à decisão recorrida.
