I - A impugnação da decisão da matéria de facto exige o cumprimento dos ónus previstos no art. 640º do CPC, incumbindo ao recorrente indicar os concretos pontos de facto impugnados, os meios probatórios que impõem decisão diversa e a decisão pretendida, sob pena de rejeição.
II - Não tendo sido provado o trânsito em julgado da decisão judicial a que a garantia bancária fazia referência, não pode considerar-se demonstrada a alegada caducidade da garantia fundada na respectiva cláusula temporal.
III - Os poderes instrutórios do tribunal não se destinam a suprir a omissão das partes no cumprimento do ónus da prova.
IV - Na garantia bancária autónoma à primeira solicitação (on first demand), o garante fica vinculado a satisfazer o pedido do beneficiário mediante simples interpelação, sem lhe ser exigível a apreciação da relação subjacente ou dos pressupostos materiais do crédito garantido, ressalvadas situações excepcionais de fraude ou abuso manifesto.
V - Cumprida a garantia bancária autónoma, assiste ao garante direito de regresso contra o ordenante e contra os avalistas que prestaram garantia cambiária destinada a assegurar o reembolso das quantias pagas.
VI - A insolvência da devedora principal e a verificação e graduação do crédito do beneficiário no respetivo processo de insolvência não determinam, por si só, a extinção ou inexigibilidade da garantia bancária autónoma anteriormente constituída.
VII - Não ocorre enriquecimento sem causa quando a restituição reclamada corresponde ao exercício legítimo do direito de regresso emergente do pagamento efectuado pelo garante em cumprimento da garantia bancária autónoma.