Processo 533/26.9T8LOU-A.P1
I - A nulidade por omissão de pronúncia apenas ocorre quando o tribunal deixe de conhecer questão que devesse apreciar, não se confundindo “questão” com argumento, fundamento, elemento probatório ou linha de raciocínio invocada pela parte.
II - O tribunal não está obrigado a responder autonomamente a todas as razões invocadas, bastando que aprecie a questão essencial submetida ao seu conhecimento.
III - Tendo o acórdão concluído pela não verificação dos pressupostos legais do diferimento da desocupação, fica prejudicada a apreciação da concessão do diferimento por prazo inferior ao máximo legal.
IV - O diferimento parcial não constitui fundamento autónomo de procedência do incidente, mas apenas modalidade de concretização temporal de uma medida cuja admissibilidade depende da prévia demonstração de razões sociais imperiosas.
V - Não há omissão de pronúncia quando o tribunal aprecia a situação económica, familiar e clínica invocada pela parte, mas conclui que tais elementos, isolada ou conjuntamente considerados, são insuficientes para preencher o conceito de razões sociais imperiosas previsto no artigo 864.º do CPC.
VI - A exigência de alegação e prova de diligências concretas de procura de alternativa habitacional constitui densificação do requisito legal da inexistência imediata de outra habitação, não configurando requisito novo nem decisão-surpresa quando a matéria integrou o debate processual.
VII - A arguição de nulidade não constitui meio processual adequado para reabrir a discussão do mérito do acórdão ou obter nova valoração dos fundamentos já apreciados. (Sumário da responsabilidade da Relatora)
