I - O conceito de separação de facto relevante para o artigo 1789.º, n.º 2, é o previsto no artigo 1782.º, n.º 1, do Código Civil.
II - O referido conceito integra a inexistência de comunhão de vida e o propósito, de ambos os cônjuges ou de apenas um, de não a restabelecer.
III - A separação de facto não é incompatível com contactos entre os cônjuges, com o exercício conjunto das responsabilidades parentais ou com a gestão de assuntos patrimoniais comuns.
IV - Tais contactos apenas seriam decisivos se revelassem comunhão de vida ou vontade de restabelecer a relação conjugal.
V - No caso vertente, desde 21 de abril de 2024, Autor e Ré passaram a residir separadamente, não voltaram a dormir juntos, não retomaram a intimidade, nem a organização doméstica comum.
VI - O Autor exteriorizou, através de comportamentos objectivos, o propósito de não restabelecer a vida conjugal.
VII - As sessões de terapia, as férias com os filhos e os restantes contactos familiares não demonstram reconciliação.
VIII - Formulado o requerimento do artigo 1789.º, n.º 2, e demonstrada a separação de facto, os efeitos patrimoniais devem retroagir à data em que aquela começou devendo manter-se a data de 21 de abril de 2024 para efeitos da retroação patrimonial do divórcio.