Processo 23543/23.3T8LSB.L1-2
Sumário
I – Conforme legal enquadramento inexiste qualquer equiparação da união de facto ao casamento, pelo que as normas ou regras reguladoras deste não devem, em princípio, ser aplicadas á união de facto, ainda que por analogia ;
II - no âmbito do contrato de arrendamento, os direitos decorrentes para o arrendatário não são extensíveis ao unido de facto que, por essa via, não adquire o estatuto de arrendatário nem lhe é conferido qualquer direito relativamente a esse arrendamento ;
III - ressalva-se do exposto as situações em que, no âmbito da protecção das uniões de facto, a Lei n.º 07/2001, de 11/05, veio estatuir, nos artºs. 4º e 5º, a protecção da casa de morada de família em caso de ruptura e de morte ;
IV - situações em que se operou a extensão às situações de união de facto de direitos próprios da relação matrimonial ;
V - donde decorre que ao membro da união de facto, que não foi parte no contrato de arrendamento, não têm de ser efectuadas as comunicações enunciadas no artº. 12º, da Lei n.º 06/2006, de 27/02 ;
VI – não tendo igualmente de ser notificado da operada resolução do contrato de arrendamento, nem dar o seu assentimento ou acordo ao posteriormente outorgado acordo de restituição do imóvel ;
VII - tal juízo tem pleno cabimento constitucional, por conformidade com a tutela dos princípios da igualdade e protecção da família, daí decorrendo, com evidência, a constitucionalidade daquele normativo. Sumário elaborado pelo Relator – cf., nº. 7 do artº. 663º, do Cód. de Processo Civil
