Processo 124/24.7T8OHP-C.C1
I. O princípio da paridade de armas (artigo 4.º do CPC) exige que as partes disponham de idênticos meios, estando vedado ao tribunal condicionar a admissibilidade de um meio de prova à mera anuência ou oposição da contraparte.
II. Configura-se inadequado o facto de o juiz, em audiência de julgamento, sugerir que a junção de um documento requerida por uma parte dependeria do consentimento da outra.
III. Contudo, a atividade jurisdicional afere-se pelo conteúdo substantivo da decisão final e não pelo itinerário verbal ou declarações provisórias ocorridas na pendência do ato.
IV. Se o despacho que decide o requerimento de junção de documento acaba por indeferi-lo, com base exclusiva em critérios objetivos e nas regras legais estritas que disciplinam a produção de prova em julgamento, o tribunal dá primazia ao critério legal e exerce autonomamente o seu poder de julgar.
V. Não se verifica ocorrência posterior para efeitos de apresentação de documentos com fundamento na parte final do nº 3 do artigo 423º do Cód. Proc. Civil, quando os documentos apresentados respeitam a factos essenciais já anteriormente alegados nos autos pelas partes.
VI. Sem alegação e prova de que a apresentação de um documento se tornou necessária em virtude de ocorrência posterior, nova e imprevisível, não se pode considerar tempestiva a sua apresentação.
VII. O mero "protestar" pela junção de um documento é um ato processualmente inócuo, porquanto a mera intenção ou anúncio de praticar um ato não equivale à sua efetiva realização, não podendo daí derivar quaisquer consequências jurídicas idênticas às do ato omitido.
VIII. O protesto pela junção de documento não releva para o cômputo dos prazos preclusivos fixados no artigo 423.º, nºs 1 e 2, do CPC, pelo que a sua apresentação tardia, desacompanhada da alegação e prova da impossibilidade de junção com o articulado respetivo, determina a preclusão do direito à sua junção. (Sumário elaborado pela Relatora)
