Sumário:
I. Os cartões de crédito “são instrumentos de pagamento que permitem ao seu titular a utilização de crédito outorgado pelo emitente, em especial para a aquisição de bens e serviços”.
II. Este tipo de cartão assenta numa relação tripartida entre o banco (que concede o crédito a curto prazo), o cliente (que efectua o pagamento diferido de bens ou serviços) e o terceiro empresário (fornecedor desses bens ou serviços, a quem o preço é pago pelo banco .
III. No contrato de utilização de cartão de crédito, a quantia paga pelo banco ao comerciante é debitada ao cliente, no termo do período acordado entre este e o primeiro e terá de ser restituída, num único momento, ou em prestações, decorrido esse período de tempo.
IV. Ao direito de crédito emergente da emissão de cartão de crédito e do contrato de utilização de cartão de crédito, não é aplicável a Jurisprudência Uniformizada pelo citado Acórdão de Uniformização de Jurisprudência n.º 6/2022, datado de 22/09/2022, nem a situação de facto é subsumível à alínea e) do artigo 310º do Código Civil porquanto: _ O valor em dívida corresponde ao montante do crédito utilizado em determinado período, pelo titular do cartão de crédito, na aquisição de bens e serviços a terceiros, liquidados pela entidade emitente, estando o montante a pagar “condicionado ao uso que é feito pelo cliente – número de transacções e respectivo valor - e ao limite de crédito concedido, pelo que não pode ser antecipadamente fixado ou pré-determinado entre as partes”; _ O titular do cartão de crédito não está obrigado ao pagamento segundo um plano de amortização consistente na fixação antecipada de determinado número de quotas, periódicas e sucessivas, que integram uma parcela de capital e outra de juros remuneratórios, originando uma prestação unitária e global; está, sim, obrigado a pagar o crédito resultante da utilização do cartão de crédito na aquisição de bens e serviços a terceiros, e liquidadas pela entidade emitente. _ Não verifica a ratio subjacente aos prazos curtos de prescrição pois, o montante em dívida está condicionado ao número de transacções e respectivo valor que é feito pelo devedor através do cartão de crédito.
V. De acordo com o artigo 310.º, al. d), do Código Civil, os juros convencionais ou legais prescrevem no prazo de cinco anos, ou seja, encontra-se extinto por prescrição o direito de crédito referente aos juros vencido para além dos últimos cinco anos antes da citação ou da prática de qualquer dos actos referidos no artigo 323.º, n.º 1, do Código Civil.
VI. Assumindo natureza controvertida a matéria de facto na qual assenta a excepção peremptória de prescrição, mostra-se prematura a sua apreciação e decisão, impondo-se previamente, permitir às partes a produção de prova dos pertinentes factos, alegados no requerimento de injunção e na oposição.