Processo 17579/24.4T8LSB-1
Sumário
I – A execução da deliberação de exclusão (por causa prevista no contrato social) termina com a efetiva amortização da quota (art. 241º, nº2 do C.S.C.), após a conclusão das operações respetivas, incluindo a inscrição no registo da amortização da quota e da deliberação da exclusão de sócio na sociedade por quotas (art. 3º, nº1, al. i) do Código do Registo Comercial).
II - No caso das sociedades de profissionais, por força da coincidência entre a atividade profissional do sócio no seio da sociedade e o objeto social desta, existem atos materiais e instrumentais que a gerência deve praticar com vista a desligar operacionalmente a atividade profissional do sócio para a sociedade.
III – O ónus processual de alegação de factos integradores do dano apreciável no âmbito do procedimento cautelar de suspensão de deliberações sociais é válido também para os casos em que a deliberação impugnada é de exclusão de sócio de uma sociedade de profissionais.
IV - O prejuízo com a execução da deliberação de exclusão de sócio que é um profissional liberal (no nosso caso um revisor oficial de contas) decorrerá, essencialmente, do facto de o seu rendimento provir do exercício da sua profissão.
V- A alegação do dano apreciável não se identifica com a descrição dos actos de execução da deliberação.
VI – Não é inconstitucional o art. 590º, nº1 do C.P.C. quando interpretado no sentido de que, na ausência da alegação de factos integradores do requisito do “dano apreciável” no âmbito de um procedimento cautelar de suspensão de uma deliberação social de exclusão de sócio de uma SROC, o pedido é manifestamente improcedente, devendo ser liminarmente indeferido o requerimento inicial sem precedência de um convite ao aperfeiçoamento. (sumário da autoria do Relator)
