1. A leitura concatenada do n.º 4 e do n.º 5 do artigo 607.º do Código Processo Civil permite circunscrever, na elaboração da sentença, dois universos na fundamentação de facto e na consequente motivação dessa convicção. 2. O primeiro deles pertence ao domínio do princípio da livre apreciação da prova. Nele vigora o imperativo de proceder à análise crítica da prova, devendo a motivação especificar quais os meios prova de que o tribunal se socorreu para atingir a convicção, quais as razões pelas quais os mesmos mereceram credibilidade e, se contraditórios com outros, quais os fundamentos pelos quais lhes foi dada prevalência probatória. 3. Por contraponto, se os factos se mostravam assentes por acordo das partes, sobre eles não incidiu (ou não deveria ter incidido) instrução (artigo 410.º do Código de Processo Civil), pelo que bastará, na motivação, fazer referência a esse acordo para que se considere cumprido o dever de fundamentação da decisão. 4. Do mesmo modo, se um facto promana de confissão judicial reduzida a escrito (com valor de prova plena nos termos do artigo 358.º, n.º 1, do Código Civil) ou se esse facto pertence ao universo daqueles que apenas por documento podem ser demonstrados e o meio de prova se encontra no processo, inexiste margem para valoração crítica da prova, já que o julgador se limitará a aceitar o que resulta e é imposto pela lei sobre o valor probatório do meio de prova. 5. O contrato de pesquisa e exploração de pedreira, disciplinado pelos artigos 12.º a 19.º do Decreto-Lei n.º 270/2001, de 6 de outubro (alterado e republicado pelo Decreto-Lei n.º 340/2007, de 12 de outubro), é um contrato oneroso, duradouro, cujo objeto integra a cedência temporária de um prédio contra o pagamento de uma quantia que pode consistir num montante fixo (que a lei designa “renda anual fixa”) acrescido de uma retribuição variável, calculada sobre o volume da produção (artigo 14.º, n.º 1, do mesmo diploma). 6. Enquanto contrato cujo objeto integra a cedência temporária de uma coisa, o mesmo desencadeia para o explorador o dever de restituição da coisa finda a execução, em termos semelhantes aos que vigoram para a locação, mas por imposição do acordo das partes que é vinculativo em conformidade com o disposto no artigo 406.º, n.º 1, do Código Civil. 7. O incumprimento desse dever de entrega, que se presume devido a culpa do explorador (artigo 799.º do Código Civil), constitui este, em termos similares aos previstos para a locação (no artigo 1045.º do Código Civil), na obrigação de compensar o proprietário pela privação do uso da coisa, pois a falta de restituição atempada do prédio desencadeou uma relação contratual de facto que perpetuou, enquanto a ocupação persistir, o dever de pagar a remuneração por esse uso. (Sumário da Relatora)