I – A nulidade por omissão de pronúncia apenas se verifica quando o Tribunal deixe de apreciar uma questão que lhe tenha sido submetida, e não quando decida essa questão em sentido contrário ao pretendido pela parte ou deixe de apreciar algum dos argumentos por ela invocados.
II – Tendo o Tribunal indeferido expressamente a notificação da parte contrária para juntar as comunicações trocadas com uma entidade bancária, não existe omissão de pronúncia, ainda que a parte discorde dos fundamentos do indeferimento.
III – A prova pericial é admissível quando a percepção ou a apreciação dos factos exija conhecimentos especiais que o julgador não possui, apenas devendo ser indeferida quando se mostre impertinente ou dilatória.
IV – Mostra-se pertinente a realização de perícia destinada a examinar as características materiais e gráficas de documentos cuja autenticidade, proveniência e integridade foram questionadas, designadamente o suporte físico, o papel, a impressão, os carimbos, os selos e as assinaturas.
V – A informação solicitada à entidade à qual os documentos são atribuídos e a perícia documental constituem meios de prova distintos e complementares: a primeira incide sobre os registos e procedimentos internos da entidade; a segunda, sobre as características materiais e gráficas dos documentos apresentados.
VI – A certidão de uma participação criminal apenas demonstra que esta foi apresentada e, eventualmente, quais os factos que o participante entendeu comunicar ao Ministério Público, não fazendo prova da realidade desses factos nem da existência de indícios que os confirmem.
VII – A simples informação sobre a fase em que se encontra um inquérito criminal nada permite concluir acerca da veracidade dos factos investigados, pelo que a respectiva obtenção deve ser indeferida quando não apresente utilidade para a demonstração dos factos controvertidos na acção civil.
VIII – O mecanismo previsto no artigo 429.º do Código de Processo Civil não se destina a permitir buscas exploratórias e indiscriminadas na documentação interna da parte contrária, na expectativa de que dela possa resultar algum elemento favorável ao requerente.
IX – Deve ser indeferida a junção de actas dos órgãos sociais de uma instituição bancária quando o requerente não alegue factos concretos dos quais resulte que a operação controvertida tenha sido apreciada ou discutida nas reuniões a que essas actas respeitam, assentando o pedido em meras conjecturas acerca do seu eventual conteúdo.
X – Devem, porém, ser juntas as comunicações que a própria parte contrária afirma ter trocado com uma entidade bancária e cujo conteúdo invoca na contestação como fundamento da sua versão dos factos, por se encontrarem suficientemente identificados os documentos e os factos que através deles se pretende demonstrar.
XI – A eventual existência, nessas comunicações, de dados pessoais ou de informação estranha ao objecto do processo não justifica o indeferimento integral da diligência, podendo o Tribunal determinar a ocultação dos elementos irrelevantes ou a apresentação de versões expurgadas.
XII – Os recursos constituem meios de impugnação de decisões judiciais, pelo que não pode conhecer-se do recurso relativamente a uma questão que não foi apreciada pelo despacho recorrido.
XIII – Por força do princípio da aquisição processual, consagrado no artigo 413.º do Código de Processo Civil, um documento regularmente apresentado e incorporado nos autos deixa de estar na livre disponibilidade da parte que o juntou, não podendo ser unilateralmente retirado quando a sua autenticidade seja questionada ou o seu conteúdo possa vir a ser valorado em sentido desfavorável à parte apresentante.
XIV – A distinção entre a falsidade do documento, considerado na sua globalidade, e a simples impugnação da letra ou da assinatura não impede que o exame pericial incida sobre as assinaturas, os carimbos, os selos, a impressão e o suporte físico, enquanto elementos materiais relevantes para aferir a autenticidade do documento.
XV – Quando o despacho que determinou a perícia ordenou expressamente que esta incidisse sobre os documentos originais entregues em audiência e guardados na secretaria, a posterior referência ao número sob o qual as respectivas cópias foram juntas com a petição inicial constitui apenas uma forma de identificação do conjunto documental e não altera o suporte material da diligência.
XVI – Não existe omissão de pronúncia quando o Tribunal fixa o objecto da perícia e designa a entidade encarregada da sua realização, ainda que não acolha as propostas apresentadas por uma das partes nem declare autonomamente o indeferimento de cada uma delas.
XVII – A fundamentação sucinta não equivale à falta de fundamentação, desde que permita compreender as razões pelas quais foi delimitado o objecto da perícia e designada determinada entidade para proceder à sua realização.
XVIII – Não existe relação de precedência necessária entre a informação solicitada a uma entidade estrangeira e a perícia documental, nem fundamento para suspender esta diligência enquanto se aguarda aquela resposta, quando os dois meios de prova possuem objectos distintos e complementares.
XIX – Não existe contradição lógica entre reconhecer que determinados documentos não respeitam directamente ao objecto da acção e admitir a sua junção por apresentarem uma conexão indirecta ou instrumental com os factos controvertidos.
XX – Nos termos do artigo 423.º, n.º 2, do Código de Processo Civil, os documentos podem ser apresentados até vinte dias antes da audiência final, não determinando a falta de justificação para a sua apresentação tardia a respectiva rejeição, mas apenas a condenação da parte em multa, salvo se esta demonstrar que não os pôde oferecer anteriormente.
XXI – Os documentos extraídos de outro processo judicial podem ser admitidos quando respeitem a factos que a parte considera semelhantes aos discutidos na acção e exista uma conexão suficientemente identificável com a versão por ela sustentada, sem prejuízo da posterior apreciação crítica e individualizada da respectiva força probatória.
XXII – As decisões judiciais documentam as pronúncias efectivamente proferidas, enquanto as peças processuais apresentadas pelas partes apenas demonstram que determinadas alegações foram produzidas, não fazendo prova da veracidade dos factos nelas afirmados.
XXIII – A admissão de documentos respeitantes a uma anterior conduta do legal representante de uma sociedade não permite utilizar essa conduta como prova automática dos factos discutidos na acção, nem dispensa o Tribunal de apreciar esses documentos em conjugação com a restante prova.
XXIV – A eventual excessividade de determinadas expressões não justifica que sejam considerados não escritos, em bloco, os artigos do requerimento que também contenham factos processuais objectivos e matéria susceptível de apresentar conexão com o litígio, cabendo ao Tribunal desconsiderar as formulações retóricas, os juízos subjectivos e as imputações que não encontrem apoio na prova.
XXV – O princípio da igualdade das partes não impõe uma igualdade aritmética de decisões favoráveis e desfavoráveis, mas exige que cada pretensão seja apreciada segundo os pressupostos legais que lhe sejam aplicáveis, proibindo diferenças de tratamento arbitrárias e destituídas de fundamento objectivo.
XXVI – A revogação, em recurso, de uma decisão sobre determinada diligência probatória traduz a correcção de um erro de julgamento e não demonstra, sem a concorrência de outros elementos objectivos, tratamento discriminatório, favorecimento da parte contrária ou falta de imparcialidade do julgador.
XXVII – Não são violados os princípios do contraditório e do processo equitativo quando ambas as partes tenham tido conhecimento dos requerimentos e documentos apresentados, oportunidade efectiva para sobre eles se pronunciarem e possibilidade de impugnar as decisões proferidas através dos meios processuais legalmente previstos.