A gravidade do ato de utilização de um bem que ainda não foi declarado perdido a favor do Estado e a importância do meio de defesa da pessoa por tal ato atingida impõem que da certidão de notificação a que alude o art.º 4.º do Decreto-Lei n.º 11/2007, de 19/01, conste expressamente a informação de que tal pessoa pode requerer à autoridade que superintende no processo que profira despacho em que aprecie, provisoriamente, a suscetibilidade ou não de perda do bem, a final, a favor do Estado, uma vez que essa suscetibilidade é pressuposto da dita utilização, e não apenas a simples remissão para o referido art.º 4.º, que um técnico de direito ou um operacional das polícias entenderá, mas não necessariamente o cidadão considerado pela lei como interessado. O mecanismo previsto no art.º 178.º, n.º 7, do Código de Processo Penal constitui uma intervenção jurisdicional na fase de inquérito com vista a assegurar direitos fundamentais, como seja o direito de propriedade privada, necessariamente afetado por atos apreensão levados a cabo pelo titular do inquérito penal. O mecanismo previsto no art.º 4.º do Decreto-Lei n.º 11/2007, atribui um direito de pedir a apreciação, provisoria, da suscetibilidade ou não de perda do bem, a final, a favor do Estado, mas, note-se bem, à autoridade que superintende no processo, que, consoante a fase em que este se encontre será necessariamente diferente. O pedido de apreciação, provisoria, da suscetibilidade ou não de perda do bem, a final, a favor do Estado só pode ser feito uma vez, e constitui até um mecanismo processual com menos garantias do que o que está previsto no art.º 178.º, n.º 7, do Código de Processo Penal. Este mecanismo legal nada tem que ver com a pretensão de levantamento da apreensão, pois, o diploma que o prevê regula, entre outros aspetos, a utilização (…) de bens apreendidos pelos órgãos de polícia criminal, no âmbito de processos crime e contra-ordenacionais, que sejam susceptíveis de vir a ser declarados perdidos a favor do Estado e regula os respectivos procedimentos. Isto é, um veículo apreendido apenas pode ser utilizado pelos órgãos de polícia criminal enquanto estiver apreendido se houver fundamentada necessidade disso, e se, em face dos autos, for previsível (suscetível, diz lei) que venha, a final, a ser declarado perdido a favor do Estado. Por isso, se a decisão for que o bem apreendido, previsivelmente, não será declarado perdido a favor do Estado, ele apenas não poderá ser alvo daquela utilização, mas tal não implica, só por si, o levantamento da apreensão e a sua restituição ao proprietário, porque a apreensão pode justificar-se por outras razões como, por exemplo, necessidades de conservação da prova.