Processo 723/19.0SMPRT-B.P1
I – No procedimento de incidente do não cumprimento do regime de prova a que ficou subordinada a suspensão da execução da pena, para que se cumpra o contraditório previsto nos arts. 495º nº 2 e 61º nº 1 a) e b) ambos do CPP, a notificação que para o efeito seja dirigida ao condenado, para que de uma forma mais ágil, simples e célere produza o efeito de se presumir o mesmo como notificado, deve ser efetuada por via postal simples com prova de depósito (cfr. nº 3 alínea c) do art. 196º e 113º nºs 1 c) e 3, ambos do CPP) na morada que o mesmo indicou no T.I.R. e que confirmou na audiência de julgamento (cfr. art. 196º nº 5 f) do mesmo Código).
II – Por isso, de nada valem as tentativas efetuadas pelo tribunal para notificação ao condenado, dos incumprimentos do plano de reinserção social de que deram notícia os relatórios de execução da DGRSP para as moradas que esta entidade foi tendo conhecimento como sendo as (possíveis) moradas do arguido (se ele não veio aos autos comunicar a alteração da morada indicada no TIR) ou na morada que ele indicou no TIR que prestou em ulterior processo crime (diferente da que consta do TIR prestado nestes autos) no qual veio a ser condenado pela prática de crime no decurso do período de suspensão da execução da pena, quer fosse por via postal registada com prova de depósito, quer fosse por contacto pessoal através da entidade policial, todas elas frustradas.
III – O TIR prestado num determinado processo (nestes autos) não se expande a processos distintos. Assim sendo, não se pode considerar imputável ao condenado a omissão da sua audição presencial nos termos impostos pelos arts. 495º nº 2 e 61º nº 1 alíneas a) e b) ambos do CPP como se entendeu no despacho recorrido. Consequentemente e fazendo aplicação da jurisprudência firmada no AUJ nº 11/2024 de 10 de Setembro, verifica-se a nulidade insanável prevista no art. 119º c) do CPP que deve ser declarada (mesmo oficiosamente) em qualquer fase do processo e se repercute na decisão recorrida (tornando-a inválida), com as consequências previstas no art. 122º nº 1, ambos do CPP. (Sumário da responsabilidade da Relatora)
