Jorge Adriano Carlos Advogado
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Jurisprudência

Processo 02748/23.2BELSB

2024-05-23 Supremo Tribunal Administrativo Administrativo Civil Acórdão Proc. 02748/23.2BELSB Rel. FONSECA DA PAZ

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Administrativo - Acórdão n.º 02748/23.2BELSB
ACORDAM NA FORMAÇÃO DE APRECIAÇÃO PRELIMINAR DA SECÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO DO SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO:

1. AA intentou, no TAC, contra o MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA, intimação para a protecção de direitos, liberdades e garantias, pedindo que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras seja condenado a decidir o pedido de concessão de autorização de residência que formulara em 23/2/2022, emitindo o respectivo título ou, se assim se não entender, a declarar que o mesmo foi objecto de deferimento tácito, aplicando-se, em qualquer dos casos, uma sanção pecuniária compulsória por cada dia de incumprimento do julgado.

Foi proferida sentença a absolver o R. da instância, com fundamento na verificação de excepção dilatória inominada resultante da inobservância do requisito da subsidiariedade do meio processual.

O A. apelou para o TCA-Sul, o qual, por decisão sumária de 29/01/2024, negou provimento ao recurso, confirmando a sentença.

Desta decisão, o A. reclamou para a conferência que, por acórdão proferido em 19/03/2024, indeferiu a reclamação, confirmando a decisão sumária.

É deste acórdão que o A. vem pedir a admissão do recurso de revista.

2. Tem-se em atenção a matéria de facto considerada pelo acórdão recorrido.

3. As instâncias consideraram que o A. não podia utilizar o meio processual da intimação para a protecção de direitos, liberdades e garantias por não ter demonstrado a verificação do requisito da subsidiariedade previsto no art.º 109.º, n.º 1, do CPTA, dado que a tutela do direito que pretendia fazer valer poderia ser assegurada com a propositura de uma acção administrativa não urgente acompanhada do decretamento de uma providência cautelar que, intimando a entidade demandada a emitir um título de residência provisório, permitir-lhe-ia garantir em tempo útil os direitos que invocava.

Como dá nota o acórdão recorrido, através da numerosa jurisprudência que cita, a questão em apreço tem sido objecto de decisões divergentes pelo TCA-Sul e neste STA ainda não se formou uma jurisprudência consolidada na matéria.

Assim, porque se está perante uma questão juridicamente relevante e que se tem colocado com frequência nos tribunais da jurisdição administrativa, justifica-se que, em conformidade com aquela que tem sido a jurisprudência mais recente desta formação (cf. Acs. de 28/9/2023 – Proc. n.º 0455/23.5BELSB, de 4/4/2024 – Procs. nºs. 180/23.7BECBR, 477/23.6BELSB e 741/23.4BELSB e de 11/4/2024 – Proc. n.º 2188/23.3BELSB e de 2/5/2024 – Proc. n.º 2049/23.6BELSB), se admita a revista.

4. Pelo exposto, acordam em admitir a revista.

Sem custas.

Lisboa, 23 de maio de 2024. – Fonseca da Paz (relator) – Teresa de Sousa – José Veloso.